Flor das Águas – voluntariado com yoga, e muito autoconhecimento

Que tal um voluntariado com muito yoga, meditação e reflexão? Fui me aventurar no Flor das Águas, comunidade e pousada localizada em Cunha e tive uma experiência que no meu coração eu sentia que estava chegando, mas na minha cabeça era incapaz de imaginar que iria acontecer.

Sol nascendo no caminho diário para a meditação

Nessas viagens e experiências externas, percebo cada vez mais que busco apenas por mim, e estar em contato com diferentes pessoas e diferentes lugares, têm sido uma ótima medida para entender quem sou, o que me serve, o que não me serve. E nesses meses de muita “bateção” de cabeça, entendi que era hora de sentar e me acalmar, mas novamente em um novo lugar.

Em agosto de 2018 eu parti para o meu primeiro voluntariado na Cidade Escola Ayni, e este foi o primeiro processo transformador do meu Recomeço. Eu acredito muito na integração físico, mental e espiritual, e já disse em outros textos como hoje vejo que a sustentabilidade é um processo muito interno, por isso nas poucas experiências que tive no voluntariado, busco lugares que acreditam neste alinhamento.

Desde que mudei para Paraty tenho tido muito trabalho externo, claro que isso afeta diretamente no interno, mas o excesso de movimento me fez ter vontade de sentar e respirar, me conectar, sendo assim, e sabendo que o Flor das Águas é uma comunidade com bases de sustentabilidade, meditação e alimentação vegana, suspeitei que lá eu poderia aprender muito e também retribuir.

Objetivo do voluntariado no Flor das Águas

O voluntariado no Flor das Águas é praticamente um retiro, ele tem como objetivo o autoconhecimento e crescimento pessoal. Se você busca um voluntariado com yoga, conexão, espiritualidade e práticas sustentáveis, este é o lugar certo para você.

Como se inscrever

Na minha inscrição, liguei na pousada e eles me passaram um e-mail, onde recebi um retorno com a ficha de inscrição, essa também pode ser adquirida no site.

No site você já consegue ter todas as informações de como funciona, o tempo mínimo, acordos, dicas e etc., a única ressalva é que no site eles pedem uma contribuição de R$ 360,00 para alimentação, mas este valor agora foi atualizado para R$ 450,00, está é uma sugestão, entre em contato com eles caso você não possa pagar essa quantia.

Depois de pagar a taxa eles te enviam um e-mail de confirmação reforçando alguns pontos.

A chegada

Ao chegar no espaço mais uma voluntária esperava, e uma voluntária antiga nos recebeu até que nos fosse feita a recepção oficial. O caminho até o alojamento dos voluntários é uma ladeira de barro onde caminhamos por uns 10 minutos, então é muito importante que você vá com uma mochila e que não leve muitas coisas.

Você estará bem isoladx e trabalhando com terra, fazendo yoga e meditação, então, não se preocupe de levar muita roupa. É importante olhar a previsão do tempo e se equipar com roupas para o frio, lá é uma região alta e a temperatura pode baixar muito.

Casa Abuela, uma cozinha e sala aconchegante onde passamos grande parte do nosso dia

O Flor das Águas é enorme e é separado por alguns núcleos e vilas, o espaço dos voluntários fica no Canto da Floresta, lá existem dois espaços de alojamento (uma casa de bambu e uma yurt), a Casa Abuela que é o refeitório e espaço de convivência, o Recanto Siloé que é uma piscina natural, uma vila com 3 casas onde moram os responsáveis pelo voluntariado, e uma horta orgânica.

Casinha de barro e bambu que costumam ficar os voluntários antigos

No primeiro dia apenas arrumamos nossas coisas, recebemos as primeiras instruções e participamos da meditação noturna.

A rotina

Os voluntários devem participar da sadhana diária, que é:

  • Manhã – yoga e meditação;
  • Tarde – serviço;
  • Noite – meditação e bhakti.

Das meditações devemos participar todos os dias, o yoga ao menos 3 vezes na semana e o serviço 6 dias.

Além da sadhana, também escolhemos um livro e somos convidados a ficar em silêncio o dia todo pelo menos uma vez na semana. As refeições são preparadas pelos voluntários seguindo a dieta vegana.

Eu li este livro e gostei muito

O serviço

Além das práticas de meditação, yoga, leitura e silêncio, também temos o tempo de serviço, e é nessa hora que você retribui tudo o que têm recebido. O tempo de serviço é de 4 horas por dia, uma folga por semana, e como o espaço é sustentável você poderá presenciar desde bioconstrução, trabalho na horta, na agrofloresta, cuidados em geral, e até a possibilidade de ir até o Annapurna que é um sítio agroflorestal em zona rural de Cunha.

Horta do Canto da Floresta

No período em que estive trabalhei principalmente com bioconstrução, desde a colheita do bambu e do barro, até o processo de subir a parede. Esse foi uma experiência muito rica, aprendi a colher, cortar, reconhecer e preparar a terra, e subir a parede.

Grupo que amassa barro unido permanece unido!!
Quaaase lá

Fazer o voluntariado vale a pena?

Qualquer voluntariado deve ser pensado e planejado antes de você partir para a ação, isso por que cada lugar oferece uma experiência muito diferente do outro, e se você chegar sem saber o que esperar pode gerar frustrações. Eu digo isso por que já presenciei pessoas indo embora dos locais achando que não era bem aquilo que procuravam, mas eu como uma pessoa que não gosto de fazer as coisas sem atingir um propósito específico, achei que se essas pessoas tivessem lido e conversado antes de ir, teriam entendido o propósito de cada lugar.

Dito isso, o voluntariado no Flor das Águas, ao meu ver, deve ser para pessoas que buscam o equilíbrio em seus diferentes corpos, estão abertas à experiência vegana e de trabalhar na terra, e não se importem com a rotina.

Se vale a pena? Como eu disse no início do texto, iniciei um grande processo de mudança no voluntariado na Cidade Escola Ayni, e sinto que fechei um grande ciclo no Flor das Águas. Todas as práticas, leituras, serviços na natureza, silêncio, preparo da comida, tudo, tudo foi um grande aprendizado sobre mim e o caminho que eu quero ou não seguir.

Este estado de reflexão, meditação e silêncio trouxe respostas a perguntas tão profundas que eu não tinha ideia que existiam, e poder vivenciar a rotina de uma comunidade que está alinhada com princípios de um mundo melhor foi um presente e um fôlego que ganhei para continuar na minha busca.

Estes labirintos são ótimos para meditação

Fora isso também aprendi sobre agrofloresta, manejo de bananeiras, bioconstrução de bambu, receitas deliciosamente veganas, saudáveis e sustentáveis, novos mantras e tive a oportunidade de praticar yoga todos os dias com professores incríveis, além do bhakti com a linda banda do Flor das Águas, e tudo isso que só faz mais sentido e tem mais graça com os voluntários e moradores onde temos trocas e aprendizados incríveis, então, vamos combinar né? Muita coisa boa em um voluntariado só!

Sinto que sempre valerá a pena se você estiver disposto a se abrir para novas experiências, confiar no processo, claro, sempre respeitando seus limites e conversando sobre eles quando necessário. Para mim foi uma mudança de perspectiva de vida.

Gratidão à todos por estes 15 dias.

2 comentários sobre “Flor das Águas – voluntariado com yoga, e muito autoconhecimento

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