Festa na Floresta – o poder dos mantras, guias espirituais.

Para a leitura desse texto, recomendo que dê um play nas músicas que vou colocar, foram algumas das que tocavam no momento. Ele te ajudará a sentir o poder dos mantras que me conectaram com os guias espirituais naquela noite.

Eu sentia muita dor de cabeça. Estava exausta de uma semana com TPM, entregas de trabalho para fazer, workshop para guiar, querendo dar atenção para pessoas queridas, ao mesmo tempo que tudo o que eu queria era dormir.

A noite estava fria, o dia tinha sido cinza e chuvoso, e nós nos escondíamos na cozinha tentando absorver o pouco do calor feito pelo fogão que esquentava um chá, enquanto partilhávamos pão caseiro e uma conserva de berinjela . Éramos 6, jovens que conversavam sobre qualquer assunto que variava entre mantras, espiritualidade, comida boa, experiências passadas.

– E aí, vamos jogar alguma coisa? – alguém perguntou.

– Meu Deus, jogar alguma coisa na parede, só se for. Quero deitar, quero dormir. – não, eu não falei, apenas pensei. A minha frase na verdade saiu mais ou menos assim – Nossa, estou com dor de cabeça, não sei se jogo ou se durmo.

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Mas alguma coisa estava no ar aquela noite, meu corpo de alguma maneira não queria sair daquela energia. Vou fechar os olhos, eu falei, e ver o que meu corpo quer. Aquela dor de cabeça generalizada começou então a se concentrar no meu terceiro olho, meu corpo e meus guias espirituais me dizendo, vai meditar, vai meditar.

– Vamos meditar? – eu disse.

Todo mundo me olhou com cara de “Você está brincando né?”. Foi o suficiente para eu falar “Quer saber, eu vou dançar”. E então comecei a acompanhar o mantra com pegada eletrônica que tocava na caixa de som na cozinha. O Daniel logo gostou e me acompanhou.

– Olha, verdade, a Tal também queria dançar. Chama ela aí. Taaaal, Feee, vem cá, vamos dançar. Traz o abajur e apaga a luz. – disse o Denis.

Naquela cozinha com chão de terra, brita, e cheiro de capim-limão, o balcão do meio virou mesa de som e luz, e nós começamos a entrar no clima, até que a Tal diz:

– Queria ter um pó mágico para levar vocês para um outro lugar. Vai, imagina que estou jogando um pó em vocês e que… iremos para o meio de uma floresta.

– Mas nós estamos em uma floresta. – disse eu.

– NÓS ESTAMOS EM UMA FLORESTA! VAMOS PARA A FLORESTA! – dissemos juntas como se tivéssemos feito a maior descoberta do mundo.

Foi tudo o que precisamos falar para todo mundo se ajeitar, pegar a luz, o som e seguir para o meio da mata, até uma clareira. Nós duas não precisamos dizer mais nada uma para a outra, o nosso conhecimento profundo, ganho pela convivência de uma vida toda, a conexão instintiva, ganho pelos anos de meditação, o reconhecimento da energia da Vila, ganho pelos meses vividos ali, fizeram com que a gente soubesse exatamente onde deveríamos ir.

Tal nos guiou onde meu coração já sabia que íamos. Carregando lanternas e música, éramos jovens felizes pelo momento que a espontaneidade estava proporcionando, gratos por nos permitir sair do controle e deixar a vida manifestar momentos mágicos que nenhuma programação do nosso limitado cérebro poderia trazer. Na simplicidade encontramos a razão pela qual estávamos nos propondo de acampar em um projeto, pegar chuva, frio, tudo em nome de uma vida viva, verdadeira, fora da artificialidade.

Tudo estava em um escuro absoluto, não se enxergava nada além do que a luz vermelha que aquele pequeno abajur podia iluminar. Pedi licença para a mata e seus guardiões, fossem eles os físicos como as cobras e aranhas, fossem eles os espirituais. Recebemos os cachorros na festa, que alternavam entre proteger o círculo que formamos e pular em cima de nós para dançar, e soltamos nosso corpo que era guiado pela melodia.

Cada um em silêncio e em seu canto, formando uma roda que mudava de forma, se fazia e desfazia, era tecida por folhas macias, cães, gravetos e pessoas. Meu corpo começou a relaxar com o cheiro de mata molhada, meus pés a se mexer discretamente de um lado para o outro, aos poucos minhas pernas e tronco foram se juntando, até que meus braços sentiram-se convidados para dançar. Sem ordem, sem critérios, sem pretensões. Dancei, balancei, deixei meu tronco cair em direção ao chão, soltei cada músculo, levantei.

Percebi que durante aquela semana eu estava em um jogo de equilíbrio entre o meu propósito, a minha individualidade, meus relacionamentos. Estava passando por um teste de até onde eu era capaz de ir respeitando meus limites, até onde eu era capaz de me entregar sabendo que a qualquer momento poderia voltar para o meu casulo.

Aos poucos, a energia que passava pelo meu corpo foi saindo pelos meus pés, formando raízes, penetrando na terra e se conectando com toda a vida e informação que habitava embaixo de mim. Senti os milhares de anos que existia naquele solo, folhas de árvores que caíram, animais que morreram, troncos que se desfizeram, todos formando o chão que eu pisava. Senti o que ainda era matéria viva, aquele mundo intraterreno que pulsa e mantêm toda vida externa. Eu estava parada, era a árvore, o ar, a música.

Naquela floresta ouvi o canto sobre a sacralidade da mata. Seus guardiões dançaram alegremente passando suas pernas entre nossas cabeças, me mostrando o quanto a vida era uma celebração. Era um reencontro, uma festa de bem vindos de novo para o presente, onde tudo é, onde tudo pode. “Cuidado onde pisa”, me diziam, “Preste atenção ao que deseja”, falavam, “Aprecie com amor e delicadeza todos os anjos”.

Eu vi então a minha mão, e lembrei o quanto sou fascinada pelos movimentos das mãos alheias, mas que pouco apreciava o quanto as minhas se mexiam com graciosidade quando queriam, com força quando deviam. Aos poucos meu corpo voltou a se movimentar, e minhas mãos me guiavam. Saí da paralisia, dancei em dupla com o Dani, uma dança de alma, respeito, encantamento, contemplação.

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Coloquei os pés descalços no chão, pisei forte, firme, sentindo toda a energia da terra penetrar em meu corpo, levando para ela tudo aquilo que estava pesado demais para eu carregar sozinha. Agachei e conectei meu chakra básico, sentindo meu ventre se abrindo, absorvendo toda aquela energia da Mãe Terra, a energia feminina que envolvia aquela noite. A Tal estava do meu lado, agachada também, coloquei a mão em suas costas e a outra no chão, e toda cura entrava, passando pelo meu corpo e indo até o dela, do dela até mim, unindo nossos objetivos, nossas forças.

Me sentei, brinquei com as cachorras. Aos poucos fomos dançando, rindo, girando, deixando com que nossos corpos se tocassem. Voltei para meu espaço individual, nutrida por toda aquela troca, absorvendo e transbordando. Meu corpo agora era leve, minha cabeça flutuava, minha visão estava ampliada. Aos poucos tudo silenciava.

– Bom, para mim chega pessoal, já estou satisfeita. – disse a Tal.

– Para mim também! Ahh Igor, ficou chateado? Vocês podem continuar na festa! – dei um abraço nesse amigo que estava proporcionando um momento tão lindo com sua luz e sua música.

– Não, então vamos todos. – respondeu.

– Vamos – os outros disseram.

Fomos caminhando pela mata, voltando para o quente da cozinha, apesar do calor dos nossos corpos já serem o suficiente para nos aquecer. Com apenas um minuto de caminhada acabou a bateria da caixa de som. SILÊNCIO. É, acho que era isso, deu o tempo que precisávamos. Voltamos todos felizes, livres, abençoados. Eu sem dor de cabeça, e meu corpo grato por ter sido cuidado.

Desenho que o Igor começou antes e finalizou depois da festa.

Ambientação (Onde, com quem)

🦋 Local: Vila das Borboletas

Amados:
Daniel (designer de produto, fotógrafo amador e dançarino de discoZinha)
Denis (conhecedor de plantas, bioconstrução, música e trocadilhos engraçadinhos)
Fernanda (terapeuta: yoga, ayuverda, tantra e uma buscadora)
Igor (desenhista e playlisteiro de Spotify)
Renata (quem te escreve, e adora aproveitar comida)
Tais (idealizadora da Vila das Borboletas junto com seu companheiro, entusiasta da educação, mãe de todos)

Essa é a playlist inteira feita pelo Igor

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